Coisa que só acontecem comigo.

Não era uma sexta-feira atípica, feriadão aqui na cidade e o ônibus não iria correr. Meu dia começou cedo, bem cedo mesmo. Cheguei em casa lá pras 4:00 h e se quisesse ir pra facul, teria que correr pra pegar o ônibus das 5:30 h. Até ai tudo bem, nada de anormal, nenhuma coisa incrível ou uma façanha espetacular.
Porém, a anormalidade, a coisa incrível, a façanha é quando estou em Rio Preto. Quando cheguei logo fui pegar o circular pra chegar na faculdade. Pago a passagem e pergunto para o carinha que cobra as passagens, qual a linha que passa na Unilago. Ele me responde, mal por sinal "Nato Vetorazzo", perguntei ainda outras duas vezes que não havia conseguido entender o nome, e nem sei se este é o nome mesmo.
Descendo a rampa que dá acesso aos ônibus, já tava de partida essa tal linha que tinha que pegar, tava mais lotado que Maracanã em dia de jogo do Flamengo, e eu, estava mais perdido que filho da puta em dia dos pais. Mas tudo bem, prosseguimos.
A porta estava se fechando, o ônibus em movimento e de repetente as outras pessoas que já estavam lá dentro veem um louco pulando para dentro. Já foi uma forma muito desagradável de querer chamar a atenção.
E lá dentro, vejo que está uma pessoa da mesma classe. E o obvio é que ela está indo para a faculdade também. E então já fiquei despreocupado, nem me preocupei em me informar qual era o ponto certo.
Teve uma hora que do ônibus desceu um monte de gente com material na mão, e achei que era uma outra faculdade, aliás a tal pessoa que está na mesma classe nem se movimentou. E lá foi esse ônibus rua abaixo, desceu, desceu e desceu. E se tudo que desce sobe, ele começou a subi, subi e opa, a pessoa que estuda comigo se levantou, e caiu a ficha na hora pra mim. É o próximo.
Quando o ônibus parou não pensei duas vezes e fui o primeiro a desce. Fiquei esperando a tal pessoa desce também, só que adivinha? Ela não desceu. Daí, pensei comigo mesmo puta merda, desci no ponto errado! Mas mantive a calma e deduzi que a faculdade estava perto e comecei a subi... subi... subi... E não chegava a tal avenida que dava acesso para facul. Passou outro ônibus da linha "Nato Vetorazzo" pensei em pegar ele, porque já havia subido bastante, mas logo tirei da cabeça porque se já havia subido bastante, logo a faculdade taria perto. Confesso que tive vontade de pedir informação só que resisti bravamente.
E continuei subindo, subindo subi tanto que achava que se continuasse mais um pouquinho logo veria São Pedro, mas de repente encontro o Anizio, gente boa pra caramba, também estuda comigo, e foi o mesmo que na noite anterior ele contou uma história de índio e eu havia dito que não gostava muito dessas histórias por serem, digamos, fofinha demais.
Eu perguntei pra ele aonde tava indo. Ele me disse que tava indo pra Unilago e eu respondi, ué eu também. E porquê você está subindo então?
Daí expliquei toda a história para ele e lá fomos nós então, começamos a desce tudo, e ele perguntou se queria pegar outro ônibus, disse que prefiria ir a pé, já que andei tanto anda mais um pouquinho não seria nenhum sacrifício. E fomos conversando bastante ele me disse que tava tentando emagrecer pra entra em forma pra ir para uma tal pedalada que vai pedalar muito, mais muito também. E eu como ando rapído, e o Anizio não devia está acostumado logo a respiração dele começou a ser meio ofegante, ai percebi e fomos mais devagares, mais ele disse pra continua assim, andou mais um pouquinho e falou:
_ Olha, bati meu recorde hoje.
Devia ter chegado até o viaduto sei lá em uns 10 minutos.
Pelo menos alguma coisa positiva de tudo isso né?
Aí, o que me espantou também foi ele falar que pegou o ônibus errado. Aí comecei a pensar, meu Deus, se ele não pegava esse ônibus errado, será que eu chegaria a conhecer você? Pois afinal, taria eu lá, subindo...
E chegamos em cima da hora tudo suado, mais valeu a pena. E como já não bastava ter feito isso, chego todo bobo na aula, contando pra todo mundo a tolice que aconteceu comigo. Sendo motivo de chacota e tal. E a tal pessoa da minha classe, ela morava lá por perto e tava indo pra casa toma banho antes de ir pra aula.

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Ser Flamenguista.

Bastantes pessoas tem a honra de torce de coração para o Flamengo, não vou ficar aqui falando aquelas coisas de marketing.“O mais querido do Brasil.” Por exemplo. Mas poucos estão na mesma situação que eu.
Já que o texto começou meio complicado vou então tentar explicar desde o inicio.
Devia ter uns 5 ou 6 anos de idade. E lá vem toda aquela história de criança que torcia sempre para o time que ganhava. Até que um dia, um amigo meu perguntou para que time torcia, e eu, na maior ingenuidade que pode ter, respondi para o Flamengo, devia ter respondido porque foi o primeiro time que me veio a cabeça.
Então, agora tinha um time a torcer, o Flamengo.
E o primeiro jogo que me recordo perfeitamente como torcedor do Flamengo foi o empate contra o Grêmio na final da copa do Brasil de 1997. Também foi a primeira vez que chorei pelo Flamengo, lembro que estava com meu pai assistindo o jogo na sala. No começo foi meio frustrante, mais depois com o gol do Romário viramos o jogo e fiquei todo bobo, com o sorriso até a nuca, e meu pai também devia está feliz por me ver feliz, mais essa felicidade foi embora. Devia falta uns 10 minutos pra acaba o jogo e o Grêmio empata com uma jogada da esquerda e que na hora culpei muito o Zé Carlos (eu sempre achei ele um frangueiro, agora não sei se ele foi mesmo um frangueiro). Mas, a alegria que saltava dos meus olhos logo virou frustração, meu pai devia ter falado alguma coisa como que quis dizer sinto muito filho e eu, como era muito sentimental na época fiquei triste, meus olhos encheram de lágrimas, tive vontade de chorar, só não chorei aquela hora por causa do meu pai.
E o Flamengo não consegue reagir e ganhar o jogo, conclusão, perdemos uma final de campeonato dentro do Maracanã lotado, assisti um pouco a festa do Grêmio e fui dormi, ou tentar pelo menos. Na hora comecei a lembra do jogo, as chances de gol que tivemos e aquele gol com a jogada na ponta esquerda não saia da minha cabeça, ainda me lembro que estava deitado reto com a mãos na cabeça e já que estava sozinho, comecei a chorar, Foram as minhas primeiras lágrimas de amor e eu mal consegui pregar os olhos naquela noite.
No meio dessa trajetória tem um desvio de percurso e vou morar em São Paulo.
Ainda era uma criança praticamente, e chega num lugar completamente diferente de onde você morava. E como era novo na cidade, todo mundo me perguntava que time eu torcia. E eu sempre respondia fielmente ao Flamengo. Só que eles perguntavam e que time daqui de São Paulo? Na primeira vez que me perguntaram isto, pensei, como assim? Time de coração só tem um independente do lugar onde você mora. E respondi para o Flamengo com um pouco de dúvida agora, porque será que só eu não sabia que podia torcer para mais de um time?
Enfim, cada vez mais que era provocado por um amigo corintiano ou palmeirense, mais gostava do Flamengo, e tinha mais orgulho ainda de ser único. E quando iríamos discutir sobre futebol, pouquíssimos, mais pouquíssimos mesmos entende realmente de futebol, quase todos só vêem com o coração e não com os olhos da razão, não que eu seja um exemplo de pessoa positivista, mais chega a dá raiva em certos momentos.
E hoje, sou um monógamo em relação a time, completamente fiel ao Flamengo, sou apaixonado mesmo. Desculpe as mulheres que odeiam futebol, mais nós homens temos que distrai a cabeça com alguma coisa que nós faz bem. Parece besteira para a maioria de vocês, ou até mesmo uma coisa de 'gay' ficar falando assim que é apaixonado por um time de futebol. Mas atrás daqueles onze jogadores que vestem a camisa hoje, já se passou uma longa e bonita história de raça e amor, dá até para considera como uma filosofia de vida a história do Flamengo.
Depois daquele dia, já chorei várias vezes por causa do Flamengo, mais nenhuma ficou tão marcante quanto a primeira vez. Vai ser uma coisa que vou leva comigo pro resto da vida, foi como um rapaz que perdeu a virgindade com a mulher de seus sonhos. E graças aquele dia, aquelas lagrimas e aquele jogo sou Flamenguista hoje, sei que sou apenas mais um na multidão, mais talvez se o Flamengo tivesse ganhado aquele jogo, poderia hoje torcer para o Corinthias. E esse dia foi a primeira vez que me recordo que tive orgulho de mim mesmo.

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